O Circo da Noite

Naquela clássica mania de bons e velhos ratos de livraria, de comprar um livro pela capa, aquelas citações que comparam e o tornam Best seller do New York Times e de algum crítico/jornalista que você nunca ouviu falar, foi assim que acabei obtendo O Circo da Noite.
Tudo bem que como uma boa livreira, muitos clientes já haviam procurado-o e comentado dele comigo, mas com um leque de opções tão variado, acabei adiando até que um dia numa promoção não crível eu o adquiri e não consigo formular um argumento plausível pelo qual não o teria feito antes.
O livro começa com a descrição de um circo mágico, preto e branco, que apareceu sem ser anunciado, ninguém sabe de onde vem e nem pra onde vai, mas jamais esquecerão as majestosas tendas espalhadas, o silêncio a não ser pelo farfalhar da vegetação e aquele pequeno papel no portão de entrada que os fez perder o fôlego e o sono por conta da adrenalina que não mais irá embora.
“Abre ao cair da noite.
Fecha ao amanhecer.”
Por ai só, já pegamos o livro e perguntamos pra mocinha “onde paga?”
Pois bem, se não bastasse tamanha maestria numa introdução, a narrativa começa no ano de 1873. Cavalos, carruagens, mulheres de vestidos bufantes e homens de cartola. Em meio a tudo isso nos é apresentado dois personagens misteriosos e enigmáticos, que não tem um nome certo, mas que são conhecidos como Hector (O Próspero Mágico) e Alexander (o homem de Cinza), ambos Ilusionistas, que iludem seu publico, fazendo-os pensar que tudo que fazem não passam de truques baratos. Ou será que não?
Se encaixando nessa trama, se apresentam Célia Bowen, filha de Próspero, e Marco Alisdair, aprendiz e filho adotivo de Alexander . O que essas crianças, de personalidade e caracterização única não sabem, é que são muito mais do que apenas pequenas peças de um relógio, são a força que o move. Tendo como cenário, as tendas de listras brancas e pretas, onde se esconde uma contorcionista que cabe dentro de uma caixa de vidro de 30 cm e depois some à o Carrossel que além de sua montaria respirar entre suas pernas, não há cordas “visíveis” que os mantenham ali, uma grande competição de mágicos acontecerá nesses capítulos curtos que nos fazem devorá-lo e por final, começar tudo de novo.
Atacando nossos olhos e imaginação com um mar enfurecido de cor âmbar feito de magia, truques e mistério, Erin Morgenstern nos trás uma obra de encantar crianças e adolescentes ,e que reacende os sonhos adormecidos no fundo dos adultos.
Curiosidade: Tendo seus direitos comprados pela Summit Entertainment em 2011, esperamos uma produção de peso para as telonas em breve. Tenho certeza que após as primeiras paginas, teremos mais Rêveurs presentes nos Jantares da Meia Noite com seus acessórios scarlates do que será fisicamente possível.
Por Glória